terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O choro da criança encantada.



     O Sr. Catuaba, antigo morador do distrito do Uruquê, conta uma história que ouviu na década de 60. Ele conta que na Fazenda Descanso, localizada também do mesmo distrito, um morador do local  também trabalhava na fazenda.  Havia uma serra muita alta e bem lá em cima havia um buraco. Esta serra era perto de sua casa, ele morava sozinho, trabalhava na plantação o dia todo e as noites, sempre ficava descansando no alpendre de sua casa.
     O morador contou naquela época para as pessoas que moravam naquela fazenda que todas as noites escutava o choro de uma criança e quando ele ia saber de onde vinha aquele choro, ele procurava pela criança e continuava a escutar o choro vindo daquele buraco lá em cima da serra. 
     As pessoas da fazenda não acreditavam na história dele e achavam que era invenção. Ele tentou várias vezes subir na serra, para conseguir chegar no buraco, para ver se lá existia alguma coisa. Tentou subir escalando, tentou com corda, tentou fazer uma escada com as madeiras das árvores, tentou de todas as maneiras, mas sempre que ele tentava, acontecia alguma coisa para não dá certo; ele caia, a corda e a escada se quebravam etc. 

     Ele tentou construir um escada mais forte, mais ele nunca consegui alcançar o buraco.  Continuava todas as noites escutando o choro de uma criança, vindo daquela serra. 
     Ainda hoje, nesse mesmo lugar, as pessoas que passam por lá à noite, escutam o choro de uma criança, mas ninguém consegue subir nessa tal serra, pois sempre acontece algo pra atrapalhar.

O bicho do lajeiro.



     Esse fato ocorreu na década de 1980 no interior de um lugarejo denominado  Paus Brancos. Comentava-se que em um lajeiro, de vez em quando, aparecia uma “marmota” (coisa estranha), que assombrava as pessoas que ali passavam. 
     Um certo dia, um jovem que não acreditava nisso, decidiu que quando voltasse de uma viagem que iria fazer, ia passar por esse local sem medo algum. O rapaz disse isso a sua querida avó, que logo lhe conselhou, que não fizesse isso e que jamais ele passasse por aquele caminho, mas não adiantou, ele resolveu ir e não mudou de ideia.  
      Despediu-se de todos que ali estavam e foi para casa. Quando o mesmo ia se aproximando do tão falado lajeiro, começou um arrepio por todo o seu corpo, mas ele não ligou e continuou andando. Quando de repente um bicho enorme, muito peludo saiu de uma moita e começou a correr atrás dele. Em pleno desespero, ele pegou sua bicicleta e a colocou sobre suas costas e começou a correr feito um louco. 
     Quando conseguiu chegar em casa, não conseguia dizer uma só palavra para sua mãe e foi dormir. Dizem que o rapaz passou 3 dias sem falar, até que no 4º dia, ele conseguiu contar o que aconteceu a todos que moravam naquele lugar.


Aluno-entrevistador: Ana Denise Mota Barros
Entrevistado: Francico Paulo da Silva
Ilustração: Hermano Hemerson Pereira dos Santos -2º E



A mulher de salto alto.



      Próximo ao interior do Distrito de Lacerda, existia uma fazenda de nome. Tabuleiro Comprido. Lá morava uma família que havia recebido umas visitas, pois estava no período das festas juninas. 
      Em um dos vários momentos de diversão próprio lá da região, todos foram a uma festa de quadrilhas juninas.
      Ao chegar as 2:00hs da manhã, o Dr. Paulo César, dono da fazenda pediu que a dona Mimosa fosse buscar uma rede para ele dormir lá na  casa dele, que tinha a uma distancia de 200m do ligar onde estava acontecendo a festa. 
      Dona Mimosa foi sozinha; entrou na casa, pegou a rede e saiu. Ao voltar para onde estava o Dr. César, ela armou a rede no alpendre e todos foram dormir. 
      Quando amanheceu, ao acordar, o Dr. Paulo César pediu novamente que dona Mimosa fosse pegar toalha, pasta e sabonete, para ele, e ela foi novamente sozinha. Quando chegou na casa, abriu a porta e, de repente se arrepiou, olhando para um lado e para o outro da sala, mas não viu ninguém. 
      De repente, escutou um barulho, como se fosse de um mulher andando de salto alto no corredor. Continuando arrepiada, dona Mimosa caminhou em direção ao quarto, der repente o barulho voltou e ela sentiu medo, pois não sabia o que estava por vir, andando assobrada ainda por um medo não revelado, caminhou pelos cantos da casa em direção ao quarto, já se aproximando dona Mimosa ouviu um barulho novamente, mas não era o mesmo de antes, parecia que a porta do quarto se abriu, mas não sabia como isso aconteceu.  
      Chegando ao quarto olhou, diretamente para dentro do guarda-roupa, onde  estava o vulto de uma pessoa. Ao ver isso, dona Mimosa gritou: hahahahhahahahahah! 
Mas sua língua enrolou e ela não conseguiu pedir  por socorro. Rapidamente ela correu tentando pedir socorro, mas não havia como alguém ajudá-la.
      Quando chegou a fazenda, tentou esclarecer o que aconteceu, mas não havia como. Ela apontou para casa até seu pai ir lá. Ele revistou toda a casa, mas não viu ninguém. Quando ele voltou, já tinha passado o efeito do susto, e ela tentou explicou o que tinha visto na fazenda. Então Dr. Paulo César perguntou quem era, ela respondeu que não reconheceu o vulto, pois o rosto dela estava coberto com as sombras da escuridão. 
      Depois de um tempo o Sr. Paulo César revelou quem era, e dona Mimosa reconheceu o vulto através de uma fotografia bem antiga.

Aluno-entrevistador: Ruddo Lopes Neumann
Entrevistado: Mª Rodrigues Nogeira da Silva
Ilustração: Rafael Costa da Silva -3ºE
 

Manoel Bandeira em Quixeramobim



         Conta-se que no final do ano de 1904, o autor Manoel Bandeira ficou sabendo que estava tuberculoso. Desde então, abandonou suas atividades e saiu em busca de um clima mais favorável para sua saúde; passou várias temporadas em diversas cidades, dentre elas Quixeramobim, na qual hospedou no sobrado paroquial da sede e no distrito de Uruquê, na mesma cidade. 
          Os mais antigos contam que seus avós costumavam dizer que ninguém de fora ficava sozinho em Quixeramobim.  
         Mesmo com o aspecto amarelado devido à doença e há muito tempo não atraindo a atenção das mulheres que temiam a contaminação, o poeta arranjou uma namorada no distrito de Uruquê, vivendo um breve romance com a jovem.  
         Muitos afirmam que o poema “Vou-me embora pra Pasárgada” foi inspirado nesta passagem da vida de Manoel Bandeira: “ Vou-me embora pra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei /Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei.”
 
]Aluno entrevistador : Maria Bruna Madeiro da Silva – 2ºA
Entrevistado: Sr. Joaquim Macêdo.
Ilustração: Antônio Cristian Wesley da Silva Viana – 3ºD

A Mulher de Branco


      Os mais antigos contam que quando uma pessoa morre prematuramente de acidente, sua alma fica vagando, procurando o caminho de volta para casa, por não conformar-se com seu trágico fim. 
      Há alguns anos atrás, muitos relatos foram registrados de uma mulher que aparecia no trecho entre Quixeramobim-Quixadá. 
      A moça, vestida de branco, pedia carona na estrada e sumia de repente do carro, assombrando os motoristas.  
      Seu Francisco, caminhoneiro, afirma ter visto de perto tal moça. Ele conta que ao pedir carona, a moça parecia estar chorando. Durante a viagem, não deu uma palavra até ele aproximar-se de Quixadá.  
      Exatamente em um sobrado antigo que fica à beira da estrada, seu Francisco olhou para o lado e a tal moça havia sumido. 
      Apavorado, seu Francisco nunca mais viajou à noite sozinho. Rezou bastante e pediu pela alma da moça.
   
Aluno entrevistador : Ruddo Lopes Neumann – 2º A
Entrevistado : Sr. Francisco Santos.
Ilustração: Túlio de Castro -3º B

 

A Loira do Banheiro



      Historicamente, sabemos que a igreja Nossa Senhora do Rosário já foi um cemitério, usado principalmente para enterrar os mortos de uma grande epidemia de cólera em 1862, aqui na cidade de Quixeramobim/CE. 
      Conta-se que a igreja e o colégio, que ficava ao lado do antigo cemitério, ficou a mercê das almas penadas que habitavam aquele lugar à noite.
Há algum tempo atrás quando o colégio era dirigido por um grupo de freiras apareceram muitos relatos de um vulto de uma mulher loira e alta que assombrava o banheiro.  
      Foram feitas orações e muitas missas foram celebradas  para a loira do banheiro deixar de assombrar o local.
      Dona Madalena conta que sua mãe foi aluna do referido  colégio que funcionava como internato. A mãe de dona Madalena, sempre falava dessa alma do banheiro e de coisas estranhas que aconteciam à noite, como passos no corredor, panelas que voavam, vozes , gemidos e gritos de dor.
 
Aluno entrevistador: Maria Bruna Madeiro da Silva – 2ºA 
Entrevistado: Sr. Francisco Santos.
Ilustração: Hermano Hemerson Pereira dos Santos -2º E

Histórias de Parteiras




     Antigamente era comum encontrar em localidades do sertão, uma ou mais parteiras. Era uma cultura passada de mãe para filha,ressaltando  uma das várias habilidades dos sertanejos. 
     Como as dificuldades de se chegar a um hospital eram grandes, eram essas mulheres que pegavam as crianças, de uma forma bem artesanal.
     As parteiras tem algumas receitas, como por exemplo: para que a mulher tenha logo o bebê, nada melhor que leite com gergelim, elas afirmam que a mistura da força para que a criança "logo venha ao mundo".  
     Há uma superstição que as crianças que nascerem “laçadas” pelo cordão umbilical, tem que serem batizados com o nome de “Antônio ou Antônia”,para que recebam a proteção de Santo Antônio, caso isso não ocorra as mesmas podem morrer queimados ou afogados.  
     E ainda quando nascia uma menina, se saísse primeiro as pernas ao invés da cabeça, essa nunca poderiam ter filhos. 
     Para as parteiras não haviam limites; não lhes importavam a distância, classe social da família... evale dizer que  quem cortava o cordão umbigo se tornava, mãe de umbigo.

Aluno pesquisador: Salviano Paulino de Morais -3ºE
Entrevistado: Sr.
Ilustração: Alan Nilton Ferreira Castro -3º E